Todas essas possibilidades estão contidas no presente. Os riscos e oportunidades se entrelaçam na moldura do Brasil de 2013. Como será o Brasil de 2023?

 

O Maestre Mandou Cenario

Neste cenário, as organizações da sociedade civil estão sendo fortemente impactadas pela lógica do mercado. A administração pública é altamente burocratizada e privilegia o controle dos aspectos financeiros e contratuais. O Estado tecnocrático incorpora as pautas de lutas sociais desde que estas se adequem ao mercado. As organizações que se opõem são vistas como antipatriotas. Existe uma forte investigação das organizações em nome de combate à corrupção. Aquelas que conseguem alcançar contratos dos governos e das empresas por meio dos editais sobrevivem como prestadoras de serviço. As organizações mais combativas não conseguem se sustentar e outras mais estruturadas se mantêm com recursos da cooperação internacional. Há uma multiplicação de institutos vinculados a empresas privadas, financiando projetos próprios.

Passa Anel Cenario

O Brasil aparenta ser melhor do que realmente é. Conceitos relacionados à inclusão e aos direitos humanos estão na mídia e no discurso dos governantes e parlamentares, mas não se refletem em suas ações. A pasteurização do discurso dificulta a denúncia de violações e a identificação de diferenças políticas. Existem conselhos participativos em todas as regiões e todos os setores, porém sua real incidência em políticas públicas é baixa. Há avanços na esfera legislativa, mas estes ainda não se traduzem em melhorias efetivas para a população; existem grandes déficits na implementação das políticas públicas. A população tem dificuldade de compreender o que fazem e o que propõem as organizações da sociedade civil; as informações e o debate público são pautados quase exclusivamente pelas grandes empresas de comunicação. Há um crescimento no número de organizações que buscam solucionar problemas sociais na lógica do mercado, com o discurso do empreendedorismo social.

Amarelinha Cenario

A sociedade brasileira faz uma opção neoconservadora. Surgem governantes que, ao proteger valores da família e da propriedade, geram retrocessos na conquista de direitos. As organizações que defendem os direitos de minorias são crescentemente excluídas das parcerias com o Estado. Algumas sobrevivem com doações de fundos independentes, de indivíduos e empresários progressistas, além da cooperação internacional.

As grandes emissoras de rádio e televisão são dominadas por grupos religiosos e dependentes da propaganda governamental. A educação religiosa confessional é tida como prioritária nas escolas públicas. As organizações do campo de direitos criam estratégias de ação inovadoras, com base  em tecnologia da informação, organização em rede e tecnologias sociais. Isso revigora suas lutas. As organizações com estruturas administrativas mais complexas e que requerem financiamento mais contínuo encontram muita dificuldade para sobreviver.

Ciranda Cenario

As organizações da sociedade civil, as empresas, os governos e os cidadãos atuam em rede, em um relacionamento de conexão, interdependência e cooperação. A sociedade participa da definição, monitoramento e avaliação de políticas públicas e as OSCs investem muito para criar canais de comunicação efetivos e diretos com a população. A presença da nova geração possibilita uma sinergia interessante com membros da “velha-guarda”, unindo inovação e comunicação horizontal e instantânea ao embasamento histórico e posicionamento político. A sustentabilidade econômica das organizações está calcada em diversos tipos de financiamento, com forte contribuição de indivíduos. Apesar de a economia ainda ser amplamente baseada na exportação de commodities e no consumo de bens industrializados, o governo amplia os investimentos em novos formatos de empreendimentos solidários e criativos. A banda larga proporciona maior acesso à informação, o que gera um salto quantitativo e qualitativo na participação social da população nos rumos da política do país.

O Mestre Mandou Passa Anel Amarelinha Ciranda
Garantia de Direitos A narrativa de direitos é subjugada pela lógica
do mercado. Os direitos avançam quando podem ser assimilados pelo mercado e retrocedem quando afetam o desenvolvimento econômico.
O discurso politicamente
correto em relação aos direitos
é completamente incorporado. Avanços nos marcos legais não se refletem na prática. Há muitos desafios na implementação da legislação que garante os direitos.
Universalização dos direitos econômicos.
Negação da diversidade
e retrocesso na garantia
de direitos sociais.
Lutas acirradas por liberdades individuais
e certos direitos coletivos.
A participação de diversos segmentos sociais garante avanços nos direitos.
Leis e políticas públicas que garantem direitos humanos e socioambientais são implementadas, em meio
a lutas e diálogos.
Relação OSC–Estado OSCs são prestadoras
de serviços em geral. Estado contrata organizações para serviços pontuais. O controle burocrático excessivo faz com que muitas organizações da sociedade civil estejam com sua situação irregular junto
ao governo, sofrendo com ações administrativas e judiciais. OSCs mais combativas se afastam dos governos para manter a sua autonomia.
A ampliação dos espaços
de diálogo e a participação
não garantem sustentabilidade econômica por parte das
OSCs. O estado finge interesse nas OSCs para manter suas próprias agendas. Predomina uma visão formalista sobre participação, com baixa efetividade, favorecendo relações clientelistas. Há acesso a recursos públicos, insuficientes para a demanda.
Estado neoconservador combate de forma mais explícita as
OSCs que lutam por interesses contrários à “sociedade do bem”. Ao mesmo tempo, beneficia as que promovem seus valores na sociedade em geral.
Com critérios direcionados, vencem os editais as que se identificam com a postura do governo. Há retrocessos no campo regulatório.
Relação mais horizontal favorece novas formas de colaboração
e participação direta, a partir
do novo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil. Há mais acesso a recursos públicos e o estado investe na construção de uma sociedade civil autônoma, com capacidade efetiva de traduzir demandas sociais relevantes.
Relação OSC–Sociedade Sociedade não confia nas OSCs, pois há frequentes denúncias
de corrupção. O controle burocrático não consegue coibir os desvios.
a população em geral obtém sua informação por meio das grandes empresas de comunicação e não apoia manifestações em defesa de direitos. Sociedade conectada em rede não se sente mais
tão representada pelas OSCs, buscando mecanismos virtuais
ou menos institucionalizados para se manifestar.
A sociedade conservadora hostiliza as OSCs que lutam
por direitos vistos como contrários aos seus valores. OSCs conservadoras recebem apoio financeiro e voluntário.
Atuação em rede faz com que as OSCs se aproximem da sociedade, gerando mais apoio e controle social.
Sustentabilidade das OSCs OSCs que se adequam à burocracia estatal sobrevivem com financiamento público. Outras submetem-se a agendas privadas, como prestadoras
de serviços. Baixo nível de voluntariado e de doações individuais. Financiadores focam temas de visibilidade internacional e na perspectiva do marketing social.
As OSCs enfrentam
crise de financiamento,
com restrições na cooperação governamental e internacional. O financiamento individual e as estratégias de autofinanciamento é o que tem permitido
o funcionamento das organizações, ainda que de forma precária.
Há recursos públicos para as OSCs que prestam serviços alinhados aos valores conservadores. Há doações isoladas de empresários progressistas para OSCs que lutam por direitos.
OSCs criam práticas alternativas para sobreviver.
OSCs que prestam serviços alinhados aos valores conservadores. Há doações isoladas de empresários progressistas para OSCs que lutam por direitos.
OSCs criam práticas alternativas para sobreviver.
Marco regulatório facilita novas formas de cooperação entre estado e OSC. Há captação
de recursos colaborativos
entre OSC e sociedade. surgem novas formas de organização que favorecem maior autonomia econômica e politica.
MídIa e Comunicação Comunicação mercantilizada, inacessível e excludente.
Mídias alternativas enfraquecidas e neutralizadas.
A grande mídia, dependente do estado, é pilar importante na manutenção do status quo. Direitos humanos usados como estratégia de marketing político.
Os meios de comunicacao estão monopolizados e são mantidos basicamente por recursos públicos. a mídia livre e comunitária atua fazendo resistência mas ainda tem pouca influência no grande público. Concentração das pautas conservadoras na
mídia tradicional.
Mídias alternativas se fortalecem, levando a um aumento dos mecanismos de monitoramento da sociedade.
O surgimento de novos
veículos contribui para a descentralização do poder midiático e divulgação de novas narrativas, especialmente via TICs. há uma crescente perda de credibilidade dos grandes meios de comunicação, fortalecendo mídias alternativas.